João Paulo descarta renúncia após ameaças e faz forte desabafo sobre crise no Ceará
O momento turbulento vivido pelo Ceará dentro e fora de campo tem colocado o…

O momento turbulento vivido pelo Ceará dentro e fora de campo tem colocado o presidente João Paulo Silva no centro das críticas da torcida. Alvo de protestos desde o início da temporada, o dirigente afirmou que renunciar ao cargo nunca passou por sua cabeça, mesmo após episódios de ameaças contra sua família.
Em entrevista exclusiva ao Globo Esporte, João Paulo comentou pela primeira vez o impacto do episódio em que sua filha recebeu um “presente” contendo uma bomba e uma carta com ataques ao presidente. Apesar da gravidade da situação, ele garantiu que seguirá no comando do clube e defendeu que uma renúncia causaria ainda mais instabilidade institucional.

“Em momento algum eu pensei em desistir”
Ao recordar o episódio envolvendo sua família, João Paulo classificou o ocorrido como algo que não pode ser normalizado no futebol e revelou que, apesar das dificuldades, nunca cogitou deixar a presidência do Ceará.
“A gente não pode aceitar isso no futebol. Eu também tenho minhas indignações, eu sou torcedor, eu vim de uma arquibancada e hoje estou aqui como presidente, mas são momentos que você tem que refletir muito sobre o que você está fazendo. Em momento algum eu pensei em desistir.”
O dirigente explicou que acredita que uma eventual renúncia teria consequências negativas para o clube, principalmente em um momento de dificuldades esportivas.
“Eu acho que é muito ruim para a instituição. O Ceará já vem de um presidente que renunciou, que ali foi muito ruim, de uma forma macro, e isso é ruim para a instituição, porque a instituição depende do mercado, tem os patrocinadores, ações com outros clubes. A gente tem o histórico de clubes que tiveram vários presidentes em um curto espaço de tempo e isso só faz piorar a situação.”
Presidente lembra conquistas recentes e admite incômodo com ameaças
Durante a entrevista, João Paulo também relembrou o cenário encontrado quando assumiu a presidência, no início de 2023, após o rebaixamento do clube à Série B. Segundo ele, apesar das críticas recebidas desde o início da gestão, o Ceará conseguiu resultados importantes nos dois primeiros anos de trabalho.
“Eu já estou há muito tempo no futebol e uma coisa que eu aprendi muito cedo é que não existe muita gratidão. Por mais que você faça, tu vai ser colocado pelo seu momento.”
Na sequência, destacou as conquistas obtidas durante sua administração.
“Eu assumi o clube no início de 2023 vindo de um rebaixamento, uma crise política, uma crise financeira também. Mesmo assim, muito questionado, porque eu era o braço direito do ex-presidente. Nós conseguimos, em um curto espaço de tempo, nos dois primeiros anos, ganhar três títulos e, o principal, que foi o acesso.”
“Quem é que gosta de ser massacrado?”
João Paulo também comentou as constantes ameaças e críticas recebidas durante a temporada, reconhecendo que a situação afeta sua rotina, mas reafirmando que segue trabalhando em busca de soluções para o clube.
“Isso me incomoda. Lógico. Porque quem é que gosta de ser massacrado, apontado o dedo, e muitas pessoas que não sabem o que está acontecendo aqui internamente.”
O presidente afirmou que mantém a consciência tranquila em relação ao trabalho desenvolvido em Porangabuçu.
“Eu tenho minha consciência tranquila que estou procurando, buscando fazer o melhor para o clube. Diariamente eu estou aqui, diariamente eu estou atrás de algo novo para o clube e sempre fui aberto para ter diálogo com as pessoas.”
As declarações acontecem em meio ao momento mais delicado do Ceará na temporada. O clube foi eliminado das demais competições que disputava e, após o encerramento do primeiro turno da Série B, permaneceu na zona de rebaixamento.
O cenário provocou uma série de protestos da torcida, incluindo manifestações em frente à sede do clube, em Porangabuçu. Em uma delas, houve intervenção da Polícia Militar com bombas de efeito moral, em uma ação que repercutiu amplamente nas redes sociais.

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