Ceará registra segunda pior média de público do século na Série B e presidente faz apelo à torcida
O primeiro turno da Série B do Campeonato Brasileiro de 2026 terminou com um…

O primeiro turno da Série B do Campeonato Brasileiro de 2026 terminou com um dado que reflete o momento vivido pelo Ceará dentro e fora de campo. O Vozão registrou média de 8.973 torcedores pagantes em seus jogos como mandante, a segunda pior marca do clube na competição neste século.
O número evidencia o distanciamento entre parte da torcida e o clube em uma temporada marcada por resultados ruins, protestos contra a diretoria e a luta contra o rebaixamento. Apesar da queda no público, o Ceará ainda aparece com a terceira maior média de pagantes da Série B, atrás apenas de Sport e Fortaleza.

Queda no público acompanha momento delicado do Ceará
De acordo com levantamento do pesquisador cearense João Ricardo de Oliveira, esta é apenas a segunda vez, desde 2001, que o Ceará termina um primeiro turno da Série B com média inferior a 10 mil pagantes.
A única campanha com números menores ocorreu em 2012, quando o Alvinegro mandou seus jogos no Estádio Presidente Vargas devido às obras de reforma da Arena Castelão para a Copa do Mundo de 2014. Naquela temporada, a média foi de 8.853 torcedores pagantes.
O contraste é ainda maior quando comparado à última participação do Ceará na Série B. Em 2024, ano em que conquistou o acesso à Série A, o clube liderou as arquibancadas da competição com uma média de 28.149 pagantes por partida, mais que o triplo do registrado em 2026.
Embora o cenário atual seja de baixa presença nas arquibancadas, o Vozão continua entre os clubes que mais levam torcedores aos estádios na competição. O Sport lidera o ranking, com média de 10.755 pagantes, seguido pelo Fortaleza, com 9.705, enquanto o Ceará aparece na terceira colocação.
Resultados e protestos ajudam a explicar o cenário
A redução no público está diretamente ligada ao momento esportivo e institucional vivido pelo clube. Dentro de campo, o Ceará encerrou o primeiro turno ocupando a 18ª colocação, com apenas 19 pontos em 19 rodadas, acumulando uma sequência de resultados negativos que manteve a equipe na zona de rebaixamento.
Fora das quatro linhas, outro fator influenciou a presença dos torcedores. Ao longo da temporada, a principal torcida organizada do clube promoveu uma campanha de “público zero”, incentivando seus integrantes a não comparecerem aos jogos como forma de protesto contra a gestão do presidente João Paulo Silva.
Após a derrota para o CRB, o dirigente reconheceu o momento difícil, mas pediu que a torcida volte a apoiar o clube nas arquibancadas durante o segundo turno da Série B.
“Eu entendo, sei que é natural (o afastamento) com o rebaixamento, o momento, mas com a ajuda do torcedor, a presença, a gente já viu que é diferente, muda (o ambiente).”
Na sequência, João Paulo reforçou que o apoio deve ser direcionado à instituição, independentemente do cenário atual.
“O torcedor tem de voltar aos jogos. Não pelo presidente, nem pelo time, mas pelo clube, pela instituição.”
Segundo turno será decisivo para reconquistar torcida
Com a campanha abaixo das expectativas, o Ceará terá pela frente o desafio de recuperar não apenas os resultados dentro de campo, mas também a confiança de sua torcida. A presença do torcedor historicamente foi um dos diferenciais do clube nas campanhas de acesso e nas temporadas de maior sucesso.
Agora, em meio à luta para escapar da zona de rebaixamento, a diretoria espera que uma reação da equipe possa contribuir para aumentar novamente o público nas arquibancadas e fortalecer o ambiente para a sequência da Série B.

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